Estava exposto ao sol sobre um barco de madeira simples e relativamente pequeno, junto a mim e simon havia umas 30 pessoas a mais ( negros locais), bebidas, comidas, um barco lento com paradas constantes, o que se faria em 2 horas, foram 10 horas neste navio da culpa!!!
Era 12:00 hs quando entramos no barco que ia em direção a zulunculi riverlodge, previsão de chegada? depende de como esta a maré! Me enfio num espaço daqueles que meia perna fica solta meia apoiada num pedaço de madeira e segura o balancar nos caibros… logo que ajeitado interação breve com o pessoal que ia no mesmo barco: nome nacionalidade ( ahh Ronaldinho), onde foi onde vai, se acha bonito, o que acha… resolvo fumar meu cigarrinho habitual e pedem para eu ir “fora do barco”quando aceito ir ba ponta do barco que não eh coberta, e vejo que a cobertura tem uma espuminha do tipo colchao e os mochiloes e varias cervejas ( cervejas que são conservadas em caixas ( das mesmas de leite) e tem uma cor esbranquiçada , tipo mingal de aveia) earg, credo! Mas enfim resolvo subir na cobertura, tiro a camiseta passo protetor no rosto, acendo meu cigarro, peco uma coca cola, e la estou eu tomando sol na cobertura do barco no meio da africa, definitivamente mendiche ( mendigo chique) logo depois de umas duas horas entre subidas e descidas do simon estávamos viajando juntos já a 25 dias, ele resolve subir e compartilhar um biscoito que tinha comprado de um rastafare em mayoka villaje, praia que embarcamos, neste meio trajeto entre céu azul e laranja fui lentamente me tornando silencioso, me tornando filosófico, tranquilo, as formas fora se separando lentamente das outras formas, o mar já estava num azul turquesa intenso em movimento calmo e continuo, o céu estático fazia das nuvens animais, letras,palavras, do mar salta peixe, e as cores se transformam , o sol vai caindo vai se tornando intensa a cor já é de um vermelho intenso, a lua cheia já esta aparecendo, desapercebida entre nuvens, o meu corpo esta emocionado, esta quente, queimado, fiquei a tarde toda no deque tomando sol, o tempo passou tao rápido que nem senti… a noite chega o peso da nuvem já é tao forte que solta raios, que relampaga, quando o frio toma conta e o tempo para. 1milezimo de segundos parece a eternidade, o balanço do barco esta feito gangorra, os pensamentos que eram de uma beleza se tornam negativos, já não compreendo o movimento das coisas ela se tornam lentas de mais, sem nem se quer me da conta a lua se vestiu de culpa as nuvens ganham recheio de depressão, e neste exato momento encontro-me no meu próprio inferno… os outros negros locais já embriagado da cerveja sobem ao teto e se sentam entre eles, e falam, colocam repetitivamente a mesma musica do celular, o que por sinal é uma porcaria de musica, a paciência já esta esgotada e já estou numa discussão mental com eles, ai tudo realmente se torna infernal, fecho os olhos e tento dormir, e quando abro os olhos morto da fome e com uma sede desumana, ardido do sol, não consigo me mexer, só abrir os olhos e mover a cabeça para ver o entorno, e só vejo negros falando alto feito macumba, mandiga, virei oferenda de iemanja e não sabia, o céu estava completamente enfurecido,e o barco ia em direção da tempestade, o homem que conduzia o barco com um bamboo gigante não falava, não se mexia, os bêbados mijavam e cuspiam sem parar, e chaqualiavam a cerveja como se fosse milk shake, e nada do corpo se mexer, eu definitivamente estava morto sendo velado num navio negreiro, e a agonia começar se tornar insuportável, pensava eu que estaria ali pelo resto da vida, naquele barco que balançava e parava em vilarejos com crianças , pais e mães berrando feito loucos, quando racionava tentava perguntar para o simon s eeu tinha morrido se estava chegando que eu precisava de agua, e ele só me respondia, Humberto relaxa, relaxa, olho para ele, ele tinha se tornado e, o eu de barba curta cabelo cortado camisa branca e shorts bege… deitado sem problema no cais do barco. Pois sem saber o que acontecia, só queria descer do barco naquele exato momento e voltar para casa, ver minha família, meus amigos, tentava pensar em todos, quando as vozes pareciam vir la do fundo, com um mix de tristesa de que eu não poderia voltar, a tristeza a culpa e a agonia do mar tinha tomado conta.
Desperto com o som da selva, o sol preguiçoso entrando no quarto, uma vista ia aparecendo conforme iluminando, um lago com montanhas no fundo… checar onde o inferno tinha me levado, o diabo me levou para o céu, para um ceu, na lagoa azul, dessas que tem montanhas de pedras altas que da para se jogar na agua cristalina cheia de peixinhos aquarelados, dessas que se corre descalço somente de shorts. arvores enormes de manga, borboletas, rochas, casinhas de palha e uma cachoeira ao lado… ou sair correndo num deck e se jogar de 8 metros de altura… dessas que berras alto para sentir a natureza entrar no corpo!!!
- Bom dia simon, tudo bem?
- Melhor Humberto? Tens certeza que queres voltar para casa agora?
- fome, o que tem para comer?
- nada! Deixa-se a sacola de comida no barco!
Agora eramos dois perdidos na ilha completamente dependentes do lodge que estávamos, e um prato de comida custava o mesmo que uma estadia, tínhamos que nos regular com o que pedir, o dinheiro é pouco e a vontade é sempre grande!!! Mas la vamos nos ao cardápio, as melhores delicias tradicionais , caseiras, italianas e francesas, muito ovo, trigo e manteiga!
No topo da montanha tem uma plantação de verduras de café, produzem mel, a galinha bota ovo, e a soja a “carne”, as folhas o chá! era mentira que eu estava sentando numa cadeirinha olhando para um lago azul intenso com montanhas da Tanzânia ao fundo, barcos pequenos de madeira com pescadores da praia vizinha, tomando um café recen colhido e torrado, na qual eu mesmo triturei, tinha encontrado um livro em língua espanhola e resolvi devora-lo, entre chá com mel puro, leituras matutinas, escrituras diurnas, jantares noturnos a luz de vela ( claro que não tem energia) com uma boa macarronada feita e amassada na hora, e de sobremessa deliciosos craps recheado de chocolate, o sabor da massa caseira misturada com o chocolate caseiro com o calor da vela não tem preço! a cama me chama, o dia foi relaxante e tranquilo!!!!
Me desperto com o sol mais leitura e caminhada, solto meu corpo por completo, jogo os óculos de mergulho desde o deck e sinto aquele arrepio nas costas, um salto completamente desafiador, simon já tinha saltado, ele berrava “just do” reajo automaticamente… respiro fundo, três passadas e já estou sentindo a pressão forte da velocidade da queda, quando o corpo cai macio numa agua morna fria, abro meus olhos, uma imensidão de cores, uma outra vida, o medo de me esbarrar com o jacaré me deixa aflito, mas logo depois relaxo outra vez e admiro a beleza dessa profundidade sem medo, sem pensamentos, o corpo boia desnudo sem pudor, sem pensar em livros, trabalho, fotografia, família, amigos, somente o eu vazio, cheio!
5:30am o despertador volta a tocar, corpo mole, não estou sozinho e o humor não depende somente de mim, simon acorda nervoso, num tempo completamente diferente do meu, ele é calculista, pontual, ele é alemão não adianta negar, mas essa exatidão nunca funciona na africa, assim que é um estres sem resultado o tempo aqui corre feito tartaruga. Caminhamos por 5 horas pela costa sentindo sul para praia de mciza para depois de la seguir direção norte outra vez, caminhando entre pedras, areias, subidas e descidas, abaixo de sol ardido, no meio de vilarejos, com exaustivas crianças se impressionando com a passagem de dois homens brancos ( mzungo, hello, hello, hello) suor escorrendo nos olhos, mochila pesadíssima, paradas para dar atenção a homens curiosos da procedência e do destino, e ainda enfrentar o humor entre os dois que já não estava na mesma conexão, estávamos cansado de compartir tudo, por tanto tempo, comida, quarto, chá café, acento de ônibus, idéias, presentes passados, e a diferença das línguas, mas independe dos sentimentos longo do trajeto nos tranquilizamos e já estávamos compartilhando outra vez, tamamos uma ambulância de “carona” é claro que pagamos pela carona de 3 horas dentro da tragedica ambulância.
Pois imaginamos uma ambulância que na africa não sabe o que é, entro no carro supostamente emergencial, e tem como uma senhora sentada no chão envolta de cesto de plástico, tecidos e panelas, encostada num monte de malas comidas e tranqueiras, ela com seu inigualável palito de dente na boca e um balde no colo caso precise gorfar„ ao seu lado uma senhora de seus 25 anos que agarrava a perna do simon como se fosse o ultimo pedaço de carne na terra, e balançava a cabeça feito maria mole, e do meu lado havia uma pilha de pessoas que estavam completamente apoiadas em mim, imagina um banco subindo uma montanha, eu pressionado na porta traseira por uma mãe com filho de colo, o marido da senhora jogada ao chão, um tio com um filho sentado no colo e uma outra senhora na ponta do banco, todos apoiados no magricelo e cansado branco barbudo!!!! Quando olho a tia do palito esta gorfando e as crianças chorando… por mais surpreendente e a lazarenta não largava o palito, como faz? Hahahaa situação cômica constrangedora e ridícula!!!
Chegamos em mzuzu, cidade grande, estranha confusa, ja é tarde, vamos ao banco retiramos um resto de dinheiro, comemos shima com galinha frita, e dormir! Num hotel que já não tem o mesmo ritmo de antes, o senhor que cuida já esta velho aborrido e bêbado, nas paredes milhares de histórias, culturas e assinaturas caracterizadas, o jazz é com certeza trilha sonora da casa, mas ela esta de ressaca, embriagada e já não tem mais força para se erguer. Mala feita, tênis sujo e rasgado camiseta furada, shorts florido ( só tenho ele) sigo para rua, chove sem vontade, mas nada que atrapalhe, subimos em mais um daqueles transportes confortáveis e vamos a livinstonia!!! No meio do caminho em pé dessa vez não tinha lugar para sentar, começo a pensar sobre a vida, sobre o tempo, história que estava encravada no meu cérebro, pois recen tinha lido sobre as tentativas da eternidade do homen, e sobre as sociedades!!! Eu que caminho por vários tipos de sociedades, desde em casa, entre diversos amigos, e viajantes de diferentes ambições e objetivos, e vendo uma sociedade lenta, antiga, na maquina do tempo!, tudo se torna claro, o modo de vida local e dos nossos , compreendo a ambição a vingança o amor a pobresa a riqueza a velocidade a religiosidade os crédulos e o passado o presente e o futuro, compreendo o meio de maneira justificativa, a matemática ganha e perde sentindo, o amor é tao forte que vinga e sangra, o conhecimento é tanto que mente, engana e trapaceia, a trapaça é tao forte que domina o cotidiano e se torna inocente, a ferida do passado pesa tanto que amolece não trabalha e condena o trapaceiro, e já não evolui, o venera! Não me explico, cuspo a minha compreençao entre linhas e me perco entre o bem e o mal, faço das minhas palavras uma contradição, o que vejo não é o que sinto, o que sinto não é o que se vê. “o tempo é uma image móvel da eternidade” Platão em o timeo. “Sempre uma coisa ilhada que se concebe e milhares que se perdem, mas a inteligência divina abarca justamente todas as coisas, o passado está no seu presente assim como também no futuro. Nada transcende em esse mundo, nele que persiste todas as coisas quitas na felicidade de sua condução.” Enéadas. “não existe coisas neste reino que não seja diáfano, nada é impenetrável, nada é opaco e a luz encontra a luz, todos estão em todas as partes e todos estados, cada coisa é todas as coisas o sol es todas as estrelas e cada estrelas é todas as estrelas e o sol, nada caminha ali como sobre terra estrangeira”. Plotino. “o Pai o filho e o espirito santo no mesmo corpo como passado presente e futuro” em modo pratico o pai representa o passado o filho o presente e o espirito santo o futuro. Tal corpo representado como o senhor poderoso da religião cristã. Homem eterno! Pensamento que me fez refletir de maneira pessoal, colocando o que FIZ como passado, o que SOU como presente, o que PENSO como futuro, pensamentos que vaga entre todos os tempos, o que me torna um ser eterno até o dia em que o SER já não pertence mais a este tempo! Homens conscientes dessa grandeza do tempo lutam contra o rio, constrói tecnologia e escraviza homens para fazer dos seus tempos a sua construção, construção chamada de evolução humana evolução que caminha com a ganancia do poder, poder do tempo da velocidade, tamanha velocidade que a informação chega a segundos e sai da mesma forma!!! E uma nova geração que cresce com tamanha informação que se perde e, essa geração é a minha, dos meus amigos, da minha sociedade, pessoas que vem a ganancia dos que querem muito, e dos que não tem nada, uma geração que recebe informação de desconstrução, a mesma que é negada por aqueles que têm o poder do tempo… esse tempo não esta na mão de ricos que convive na nossa sociedade, que normalmente é julgada como culpados por manterem o sistema capitalista? Para mim depois de algumas logicas conclusões é o capitalismo é a falta de compartilhamento de informações e matérias primas ( que foi adquirido com o tempo de todos os “escravos”) informações necessárias para sobrevivência da humanidade atual, como: tecnologia, medicamento, ciência, e materiais primários. Alimento, água, energia… Informações que não são dividas por ambição de poucos que representam muitos!!! ai a nova geração faz o que? Dentro desta guerra de poderes? Fechas os olhos e segue em rumo a sua construção de conforto familiar, fecha os olhos e nega o que acontece, e utiliza da pobresa e da destruição como auto promoção de bondade e misericórdia! E no resumo, qual é a minha foto? A minha foto é preta, compreendo mas não quero ver! Quero viver com o que tenho, e com a sorte de ter! ter a matéria, a sabedoria e o amor! fazendo do meu cotidiano mais verdadeiro comigo e com os que me rodeiam!!! Acredito que posso voltar para casa, e continuar com uma próxima questão!!!